A Demonstração dos Fluxos de Caixa segundo
a norma internacional - IAS 7
Fonte:
OFÍCIO-CIRCULAR/CVM/SNC/SEP Nº 01/2005
A seguir estão resumidos e
comentados os principais pontos da norma sobre a demonstração de fluxo de caixa
no IAS 7:
Objetivos
A informação dos fluxos de caixa
fornece uma base para avaliação da capacidade de geração e utilização desses
fluxos de forma estruturada por natureza de atividades. Os usuários da empresa
estão interessados em saber como a empresa gera caixa e equivalentes de caixa, e
este interesse independe da natureza da empresa.
Estrutura
Os seguintes tópicos principais
devem ser usados em todos os fluxos de caixa: (i) atividades operacionais, (ii)
de investimento e (iii) de financiamento. Essa classificação permite avaliar o
efeito das atividades sobre o montante de caixa e equivalentes de
caixa.
Conceitos
Caixa e equivalentes de caixa: o
caixa compreende numerário em mãos e depósitos bancários disponíveis;
Equivalentes de caixa são investimentos de curto prazo, de alta liquidez, que
são prontamente conversíveis em valores de caixa e que estão sujeitos a um
insignificante risco de mudança de valor.
Atividades operacionais: são as
principais atividades geradoras de receita da entidade, além de outras
atividades diferentes das de investimento e financiamento; Esses fluxos são
basicamente derivados de transações geradoras de receita da entidade e,
portanto, geralmente resultam das transações e outros eventos que entram na
apuração do resultado. Exemplos são os recebimentos em dinheiro pela venda de
bens e serviços e o pagamento em dinheiro a fornecedores, a empregados, a
seguradores por prêmios e de impostos.
Atividades de investimento: são
aquisição e venda de ativos de longo prazo e outros investimentos que
representam gastos destinados a gerar receitas futuras e fluxos de caixa e que
não estão incluídos nos equivalentes de caixa. Exemplos são os desembolsos para
aquisição de ativo imobilizado, intangível e outros ativos de longo prazo,
recebimentos pela venda de ativo imobilizado, aquisição ou venda de ações ou
instrumentos de dívida de outras entidades.
Atividades de financiamento: são
atividades que resultam em mudanças no tamanho e na composição do patrimônio
líquido e empréstimos a pagar da entidade, que representam exigências impostas a
futuros fluxos de caixa pelos fornecedores de capital à entidade. Exemplos são o
numerário proveniente da emissão de ações ou instrumentos de capital, pagamento
a investidores para adquirir ou resgatar ações da entidade, numerário
proveniente da emissão de debêntures, tomada de empréstimo a curto e longo
prazo, amortização de empréstimos e, pagamento de arrendamento
(lease).
Métodos para
apresentação
A entidade pode usar o método
direto ou indireto para reportar o fluxo de caixa das atividades operacionais,
sendo encorajado o método direto. No método direto as principais classes de
recebimentos e desembolsos são divulgados e, no método indireto, o fluxo de
caixa líquido das atividades operacionais é determinado ajustando-se o resultado
(lucro ou prejuízo): (i) pelos efeitos das transações que não afetam o caixa,
como depreciação, diferimentos e provisões, lucros ou prejuízos cambiais não
realizados, lucros não distribuídos de investidas e interesses minoritários,
(ii) variações ocorridas no período nos estoques e nas contas a receber e a
pagar e, (iii) todos os outros itens de receita e despesa relativos a fluxos de
caixa de atividades de investimento e financiamento, (iii) todos os outros itens
de receita e despesa relativos a fluxos de caixa de atividades de investimento e
financiamento.
Aspectos de classificação e
divulgação
a) A entidade deve destacar as
principais classes de recebimento e pagamentos decorrentes das atividades de
investimento e financiamento pelo valor bruto;
b) Os fluxos de caixa de
transações em moeda estrangeira devem ser registrados na moeda em que estão
expressas as demonstrações contábeis (reporting currency) da entidade,
convertendo-se o montante em moeda estrangeira à taxa cambial na data do fluxo
de caixa;
c) Quando um contrato é
contabilizado como proteção (hedge) de uma posição identificável, os
fluxos de caixa do contrato são classificados do mesmo modo como os fluxos de
caixa da posição que está sendo protegida.
d) os fluxos de caixa referentes a
itens extraordinários devem ser classificados como resultantes de atividades
operacionais , de investimento ou de financiamento, conforme o caso, e
separadamente divulgados;
e) os fluxos de caixa referentes
aos juros, dividendos e impostos de renda devem ser divulgados separadamente e
de maneira uniforme no grupo em que melhor represente a essência da transação; o
pronunciamento IAS 7 não especifica como devem ser classificados estes fluxos de
caixa, e requer da empresa que estabeleça a sua política contábil para esses
itens da forma mais adequada;
A diferença de tratamento dos
juros e dividendos entre os pronunciamento americano FASB Statement 95 e o
pronunciamento internacional IAS 7
A classificação dos juros e
dividendos, que no pronunciamento internacional IAS 7 permite tratamentos
alternativos, recebe uma diretriz específica no caso do pronunciamento
americano. O pronunciamento IAS 7 permite uma empresa não financeira classificar
de forma consistente entre os períodos: (a) juros (despesas financeiras) e
dividendos pagos ou recebidos no tópico "operacional" ou (b) juros e dividendos
pagos como "financiamento", ou seja, custo da obtenção dos recursos financeiros,
e juros (receitas financeiras) e dividendos recebidos como "investimento", ou
seja, retornos sobre investimento.
O pronunciamento SFAS 95, por
outro lado: (i) requer que os juros pagos e os juros e dividendos recebidos
devem ser classificados como fluxo de caixa operacional, (ii) classifica os
dividendos pagos como um fluxo de caixa de "financiamentos", porque são
considerados um custo para obter recursos. Acrescente-se que o SFAS 95 determina
que a transação deve ser classificada na atividade que representar a fonte
predominante de fluxos de caixa para o item, e esta diferença pode fazer com que
a empresa potencialmente varie a classificação para um mesmo tipo de transação.
A premissa subjacente no caso do
pronunciamento americano é a convergência entre o fluxo de caixa operacional e
os itens do resultado. O IAS 7 requer divulgar, separadamente, os juros pagos e
recebidos e os dividendos pagos e recebidos e o SFAS 95 permite que os juros e
dividendos recebidos possam ser divulgados em conjunto.
Recomenda-se que a empresa
brasileira, particularmente aquelas com registro em bolsas americanas,
estabeleçam e divulguem em nota explicativa às demonstrações de fluxos de caixa
uma política contábil para esses itens. Uma forma de conciliação entre esses
pronunciamentos poderia ser a demonstração de juros pagos e juros e dividendos
recebidos, como item do fluxo de caixa operacional e os dividendos pagos como
item do fluxo de caixa de financiamento, mantendo-se cada um desses itens
demonstrado em separado.
Divulgação de notas explicativas
às demonstrações de fluxo de caixa
O IAS 7 e o SFAS 95 requerem
divulgações em notas explicativas sobre certos tópicos da demonstração de fluxo
de caixa:
|
tópico |
SFAS 95 |
IAS 7 |
|
Componentes caixa e
equivalentes caixa |
Exige a divulgação dos
critérios que a empresa utiliza na consideração dos investimentos
classificados como equivalentes-caixa. |
Exige a divulgação dos
componentes que a empresa está considerando como caixa e equivalentes
caixa e deve apresentar uma conciliação entre os valores em sua
demonstração dos fluxos de caixa com os itens do balanço patrimonial .
Deve ser divulgado o efeito de qualquer mudança na política para
determinar os componentes de caixa e equivalentes de caixa (IAS
8). |
|
Juros, dividendos e imposto
de renda |
Os juros (líquido das
quantias capitalizadas) e imposto de renda pagos devem ser evidenciados em
destaque apenas se for utilizado o método indireto; dividendos pagos podem
ser agrupados com outras distribuições aos proprietários; e, juros e
dividendos recebidos podem também constituir um único
subitem. |
Os juros e dividendos, pagos
e recebidos, e o imposto de renda pago devem ser mostrados d forma
individualizada na demonstração de fluxo de caixa, independentemente de se
utilizar o método direto ou indireto. |
|
Itens extraordinários |
Não é necessário nenhum
procedimento especial para evidenciar os fluxos de caixa oriundos de itens
extraordinários. |
Devem ser classificados como
resultantes de atividades operacionais, de investimento ou de
financiamento, conforme o caso, separadamente divulgados, a que os
originou, e evidenciados de acordo com o IAS 8. |
|
Fluxo de caixa por ação |
Proíbe a divulgação de
qualquer índice relacionado ao fluxo de caixa por ação. |
Não faz
referência. |
|
Atividades de hedging |
Requer a divulgação dos
critérios utilizados para classificar os hedges de transações
identificáveis na mesma categoria dos itens que o
originaram. |
Não requer a divulgação dos
critérios utilizados. |
|
Saldos indisponíveis de caixa |
Não faz
referência. |
Deve divulgar os saldos de
caixa e equivalentes de caixa indisponíveis, juntamente com os comentários
da administração. |
|
Outras divulgações |
Não faz referência. |
Encoraja a divulgação, de:
. Valor de empréstimos obtidos mas não utilizados,
. Valor dos fluxos de caixa por atividade em joint
ventures;
. Valor dos fluxos de caixa derivados de aumentos na
capacidade operacional separadamente daqueles necessários para manter a
capacidade operacional;
. Valor dos fluxos por atividade econômica e região
geográfica. |
A companhia deve, também, considerar outros itens de
esclarecimento para os usuários em notas explicativas adicionais como, por
exemplo: (a) a divulgação dos juros e encargos pagos no ano, inclusive os
capitalizados oriundos de ativações em bens em construção; (b) o total do
imposto de renda e CSSL pagos no ano e, (c) eventuais transações que ou eventos
que não alteraram o caixa mas são relevantes para informar sobre o fluxo de
recursos da empresa (e que são expressamente excluídos da demonstração do fluxo
de caixa pelo IAS 7).
Como política contábil a empresa também pode determinar que
qualquer fluxo de caixa das atividades de investimento e financiamento que seja
maior que 5% do valor total da atividade envolvida seja discriminado em
separado. Nesse caso, a empresa julgou que, ao abrir a composição desses fluxos
de caixa, facilitaria a avaliação do comportamento da atividade para o
investidor/analista de mercado.
ributacao
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