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Acordo Ortográfico da língua Portuguesa, e a
questão do uso do hífen
Por
um acordo entre o Brasil, Portugal e os países
da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa –
Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau,
Moçambique, Portugual, São Tomé e Príncipe e
Timor Leste – terão a ortografia unificada ainda
em 2008.
As mudanças mais significativas alteram a
acentuação de algumas palavras, extingue o uso
do trema e sistematiza a utilização de hífen. No
Brasil, as alterações atingem aproximadamente
0,5% das palavras. Nos demais países, que adotam
a ortografia e de Portugal, o percentual é de
1,6%. O período de transição estipulado pelo
Ministério da Educação (MEC) para a nova
ortografia passar a ser obrigatória nos livros
didáticos é entre 2010 e 2012.
O que mudará?
- As paraxítonas terminadas em “o” duplo, por
exemplo, não terão mais acento circunflexo. Ao
invés de “abençôo”, “enjôo” ou “vôo”, os
brasileiros terão que escrever “abençoo”,
“enjoo” e “voo”.
- Não se usará mais o acento circunflexo nas
terceiras pessoas do plural do presente do
indicativo ou do subjuntivo dos verbos “crer”,
“dar”, “ler”, “ver” (crêem, lêem, vêem) e seus
decorrentes, ficando correta a grafia:”creem”, “deem”,
“leem” e “veem”.
- Criação de alguns casos de duplas grafia para
fazer diferenciação, como o uso do acento agudo
na primeira pessoa do plural do pretérito
perfeito dos verbos da primeira conjunção, tais
como “louvámos” em oposição a “louvamos” e “
amámos” em oposição a “ amamos”.
- O trema desaparece completamente. Estará
correto escrever “linguiça”, “sequência”, “
frequência” e “quinquênio” ao invés de lingüiça,
seqüência, freqüência e qüinqüênio.
- O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26,
com a incorporação de “k”, “w” e “y”.
- Cai o acento diferencial, que diferenciava
acento homônimo de significados diferentes acaba
consequentemente “pára” (verbo), vai ficar
apenas “para” (preposição).
- Haverá eliminação do acento agudo nos ditongos
abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas,
como “assenbléia”, “idéia”, “heróica” e
“jibóia”. O certo será assembléia, idéia,
heróica e jiboia.
- Em Portugual, desaparecem da língua escrita o
“c” e o “p” nas palavras onde ele não é
pronunciado, como em “acção”, “acto”, “adopção”
e “baptismo”. O certo será ação, ato, adoção e
batismo.
- Também em Portugual elimina-se o “h” inicial
de algumas palavras, como em “húmido”, que
passará a ser grafado como no Brasil:”úmido”.
- Portugual mantém o acento agudo no “e” e no
“o” tônicos que antecedem “m” ou “n”, enquanto o
Brasil continua a usar acento circunflexo nessas
palavras: académico/acadêmico, génio/gênio,
fenómeno/fenômeno, bónus/bônus.
A
questão do hífen.
Para saber quais perderão o hífen,
teremos de esperar a publicação do novo
Vocabulário Ortográfico pela Academia das
Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de
Letras.
O texto do acordo prevê a aglutinação, dá alguns
exemplos e termina o enunciado com um etc – o
que, infelizmente, deixa em aberto a questão.
O hífen é, tradicionalmente, um sinal gráfico
mal sistematizado na ortografia da língua
portuguesa. O texto do acordo tentou organizar
as regras de modo a tornar seu uso mais racional
e simples:
a) manteve sem
alteração as disposições anteriores sobre o uso
do hífen nas palavras e expressões compostas.
Determinou apenas que se grafe de forma
aglutinada certos compostos nos quais se
perderam a noção de composição (mandachuva e
paraquedas, por exemplo).
b) no caso de palavras formadas por prefixação,
houve as seguintes alterações:
- só se emprega o hífen quando o segundo
elemento começa por H.
Exemplos: pré-história, super-homem,
pan-helenismo, semi-hospitalar
Exceção: manteve-se a regra atual que descarta o
hífen nas palavras formadas com os prefixos des-
e in- e nas quais o segundo elemento perdeu o h
inicial (desumano, inábil, inumano).
c) Quando o prefixo termina na mesma vogal com
que se inicia o segundo elemento.
Exemplos: contra-almirante, supra-auricular,
auto-observação, micro-ondas, infra-axilar.
Exceção: manteve-se a regra atual em relação ao
prefixo co-, que em geral se aglutina com o
segundo elemento mesmo quando iniciado por o
(coordenação, cooperação, coobrigação).
d) Com isso, ficou abolido o uso do hífen nesses
casos; quando o segundo elemento começa com S ou
R, devendo estas consoantes ser duplicadas.
Exemplo: antirreligioso, antissemita,
contrarregra, infrassom
Exceção: manteve-se o hífen quando os prefixos
terminam com R, ou seja, hiper-, inter- e super-.
Exemplos: hiper-requintado, inter-resistente,
super-revista.
e) Quando o prefixo termina em vogal e o segundo
elemento começa com uma vogal diferente.
Exemplos: autoestrada, autoaprendizagem
agroindustrial, hidroelétrica, antiaéreo,
extraescolar, aeroespacial.
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